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Notícias

7 de Abril de 2015

Documento do mês de abril

Comemora-se hoje o dia Nacional dos Moinhos e o Arquivo Distrital de Évora associa-se a estas comemorações publicando como documento do mês de abril o Regimento para o ofício de atafoneiro que consta no Livro de Regimentos dos Ofícios e doutros documentos para a História Económica e Administrativa de Évora, de 1778.

Regimento

O ofício de atafoneiro referia-se à profissão do moleiro que trabalhava nos moinhos acionados por força animal, designados por atafonas, que funcionavam quase sempre nos meses de verão, em substituição dos moinhos acionados por água, que muitas vezes escasseava nesta altura do ano.

Este ofício exigia dominar as técnicas de moagem, pois era necessário que regularmente se fizesse a manutenção dos engenhos de moagem (desmontar, picar e montar as mós), ou não fosse o moleiro um engenheiro da sua profissão um verdeiro autodidata.

Moinho

A aprendizagem fazia-se no moinho, junto do mestre moleiro que ensinava os seus aprendizes, muitos deles membros da família, que davam continuação à profissão e, desta forma, os moinhos iam passando de geração em geração. Os aprendizes não tinham direito a ordenado, mas eram compensados com a mastiga, ou seja, com a alimentação.

Uma das primeiras regulamentações deste ofício foi o Título dos Moleiros, do século XIV e, só mais tarde, no século XVI, foram regulamentadas algumas regras sobre o peso do trigo e da farinha, sobre a qualidade do cereal e sobre regras básicas de higiene.

A partir deste Regimento de 1778, que estipulava o preço que cada moleiro haveria de cobrar por moer cada alqueire de trigo, sob pena de 6 mil reis, também foi obrigatório que os moleiros fizessem prova das suas competências para exercer o ofício: “nenhum moleiro poderá usar do dito ofício sem licenças da Câmara, ou ser no mesmo examinado e terá o seu regimento publico ao povo, na casa de entrada de sorte que se possa ler com as medidas de sua obrigação aferidas a seus tempos costumados de baixo da mesma pena de 6 mil reis”.

E como prova da verificação destas competências, encontramos no Livro das Licenças e Cartas de Examinação dos Ofícios, de 1778, vários registos de cartas de examinação ao ofício de moleiro, como estas duas que a seguir se apresentam, passadas a Manuel Romão Rosado e José Luís (Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Évora, Liv. 317, f. 15 v):

“A Manuel Romão Rosado se passou carta de examinação do ofício de moleiro e atafoneiro por acórdão a 13 de janeiro do corrente, sendo juiz do dito ofício Miguel Rodrigues e João Gonçalves”. 

Manuel Rosado

“Se passou carta de examinação do oficio de moleiro e atafoneiro a José Luís, morador na freguesia de Valongo, termo desta cidade, por acórdão a 13 do corrente mês sendo juízes do dito oficio Miguel Rodrigues e João Gonçalves”.  

Jose Luis 

 Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Évora, Liv. 327, f. 57.

Esta notícia foi publicada em 7 de Abril de 2015 e foi arquivada em: Documento do mês.

Comentários

  1. Estêvão Neves - 10 de Abril de 2015

    Muito interessante este estudo sobre os moleiros. O termo “a mastiga” ou seja o alimento que os aprendizes recebiam pelo seu trabalho é muito alentejano.

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