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Notícias

11 de Agosto de 2019

Documento do mês de agosto de 2019

O documento que divulgamos no mês de agosto é o Decreto de 27 de outubro, através do qual foi criada a Casa Pia de Évora. Esta instituição foi inaugurada no dia 11 de agosto de 1836, tendo sido instalada no edifício do Colégio do Espírito Santo (atuais instalações da Universidade de Évora e do Arquivo Distrital de Évora).

Fundada sob a “immediata protecção” da rainha D. Maria II, determinou-se que nela [seriam] recolhidos, sustentados e [receberiam] a instrução primaria e a das artes fabris os expostos, órfãos e meninos abandonados d’ um e doutro sexo do respectivo Districto Administrativo; e bem assim os filhos de pessoas indigentes, preferindo os que [houvessem] feito serviços ou [tivessem] sofrido graves sacrifícios pela causa constitucional”.

A fundação da Casa Pia teve como efeito a supressão dos “estabelecimentos de piedade existentes na cidade de Évora, denominados: Recolhimento da Madalena, da Piedade, de São Manços e Colégio dos Meninos Órfãos”.

A Casa Pia de Évora acolheu todos os órfãos e recolhidas dos estabelecimentos extintos, assim como todos os bens e rendimentos que possuíam. Esta situação pode ser comprovada através de uma descrição patente no “Roteiro, Notas e Curiosidades da Casa Pia de Évora” produzido no âmbito das comemorações dos 100 anos da existência da Casa Pia, em que se indica que “no dia 8 de Agosto de 1836 deram entrada na Casa Pia 16 recolhidas da Piedade, que ficaram como alunas, em virtude de terem menos de 20 anos. Para o antigo Noviciado (Conventinho) foram, no dia 19 do mesmo mês, as restantes recolhidas da Piedade, em número de 21, tendo 20 a 72 anos de idade. A estas foi-lhes arbitrada, além de casa, médico e cirurgião, a pensão diária de sessenta reis, em vez do alqueire de trigo e outocentos reis que recebiam por mês. Do Colégio de São Manços vieram para o Conventinho 2 colegiais, 2 porcionistas, a Regente e uma serva”.

A Casa Pia de Évora era constituída por dois colégios: um para os órfãos do sexo masculino e outro para os do sexo feminino. As crianças eram admitidas entre os 7 e os 10 anos de idade até ao número de 200 (100 do sexo feminino e 100 do sexo masculino).

O primeiro aluno desta Casa foi Francisco Lúcio de Sousa, natural do Vimieiro, que entrou no dia 8 de agosto. Muitos outros foram os que lhe seguiram, de tal forma que, em outubro, já contava com 202 alunos (98 rapazes e 104 raparigas). Este número pouco terá variado ao longo dos anos, como nos é sugerido pela seguinte descrição de Gabriel Pereira, um dos grandes mentores da Casa Pia: A voz faz vibrar as abóbadas do vasto edifício, é a voz do trabalho, da instrução popular, é o juvenil batalhão de pobres crianças que ao entrar na vida tiveram a indigência, o luto da orfandade, e ali encontram sustento, amparo e educação; é a officina-escola, o mais efficaz instrumento do cultivismo, que, bem comprehendido, há de reformar material e moralmente, não a cidade, ou o pequeno grupo isolado, mas a pátria portugueza, dando-lhe operários hábeis, instruídos, morigerados que levantem as suas industrias”.

Cota: Fundo da Casa Pia, SC A-A/2 – Cx 2, Pt. 2, doc. 1 a 15

Esta notícia foi publicada em 11 de Agosto de 2019 e foi arquivada em: Documento do mês, Documento em destaque.

Arquivo Distrital de Évora