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Notícias

22 de Julho de 2026

Documento do mês julho 2026

O ermitão da Capela de Nossa Senhora da Boa Nova: um testemunho documental do século XIX

Uma simples referência num assento paroquial conduz-nos através dos tempos à história de uma figura praticamente esquecida: o Ermitão do Santuário da Nossa senhora da Boa Nova/Hora, em Terena

Entre os inúmeros registos paroquiais conservados nos Arquivos encontram-se pequenas referências que nos permitem conhecer aspetos da vida quotidiana e das instituições religiosas e militares de outros tempos.

O assento de óbito de Jerónimo que faleceu com apenas quatro meses de idade é um exemplo do que foi referido anteriormente. Jerónimo faleceu em Terena no dia 29 do mês de maio de 1880, nele seu pai, Manuel António Perdigão surge como sendo o ermitão da Capela de Nossa Senhora da Boa-Nova. Segundo o referido assento o seu filho, menor de idade havia falecido numa casa que era usada como a residência dos ermitães de Nossa Senhora da Boa-Nova, (normalmente esse lugar era designado de eremitério). O Santuário de Nossa Senhora da Boa-Nova (ou Boa-Hora) encontra-se situado na freguesia de Terena, concelho do Alandroal.

Á primeira vista, poderá parecer apenas uma indicação da profissão ou condição do interveniente no registo. No entanto, trata-se de um valioso testemunho da existência de ermitões, pessoas que desempenharam um papel importante na preservação e funcionamento de muitas Ermidas e Santuários portugueses.

O Ermitão, era, habitualmente, o responsável pela guarda da Ermida ou Capela, pela sua conservação, limpeza e abertura aos fiéis, assegurando a preparação das celebrações religiosas e o acolhimento dos peregrinos. Em muitos casos residia junto ao templo, levando uma vida simples e marcada pela devoção, sem pertencer ao clero.

A Capela da Boa Hora, também conhecida pela Capela da Boa-Nova e ainda como Santuário de Nossa Senhora da Boa Hora é o santuário mais antigo a sul do tejo, considerado um importante testemunho da arquitetura medieval portuguesa. Foi classificado Monumento Nacional por Decreto de 26 de junho de 1919.

Os documentos mais antigos que referem esta igreja são as Cantigas de Santa Maria, da autoria de Afonso X de Castela (1221-1284), avô do rei D. Dinis, várias composições poéticas são dedicadas a Santa Maria de Terena. A tradição popular atribuiu a sua edificação à Rainha D. Maria de Castela, filha de D. Afonso IV de Portugal.

Esta igreja-fortaleza que remonta ao século XIV, constituiu um dos espaços mais importantes de culto mariano do concelho do Alandroal, refletindo a importância das devoções locais de peregrinação, promessas e feitos religiosos que reuniam as populações da região, é uma rara igreja fortaleza medieval que se destaca pelo seu aspeto militarizado.

O título de Senhora da Boa Nova exprime a felicidade de Maria pela Ressurreição de seu filho, Jesus, sendo que a festa principal em sua honra se realiza anualmente no domingo e segunda-feira da oitava da Páscoa. Esta romaria, a mais antiga do Alentejo acolhe devotos vindos dos mais variados pontos do país. A coroa de ouro que a imagem leva nos dias festivos foi oferecida pelo povo e benzida pelo Arcebispo de Évora, D. Manuel da Conceição em 1952.

A referência encontrada neste assento, demonstra como os documentos de arquivo permitem ir além dos acontecimentos mais conhecidos, revelando personagens e funções que fizeram parte da organização religiosa e social das comunidades. Um simples apontamento para a história da Capela de Nossa Senhora da Boa Hora e para a memória daqueles que, de forma discreta, asseguravam a continuidade da vida religiosa em torno do santuário.

 

 

 

    

Procissão da Festa de Nossa Senhora da Boa Nova

Cota do documento: PT-ADEVR-PRQ-ADL05-003-0028 (assento 5 de 1880) consultadas: https://pt.wikipedia.org/wiki/Santu%C3%A1rio_de_Nossa_Senhora_da_Boa_Nova

Esta notícia foi publicada em 22 de Julho de 2026 e foi arquivada em: Documento do mês, Documento em destaque.