10 de Fevereiro de 2026
Documento do mês fevereiro 2026
José Fernando de Sousa ou Conselheiro Fernando de Sousa
O documento selecionado para o mês de fevereiro do arquivo Distrital de Évora consta do assento de casamento de José Fernando de Sousa com Dona Berta Isilda Guerreiro.
José Fernando de Sousa, também conhecido como Fernando de Sousa ou Conselheiro Fernando de Sousa, nasceu em viana do Alentejo no dia 30 de maio de 1855, foi batizado na igreja paroquial de Nossa Senhora da Anunciação de Viana do Alentejo no dia a 17 de julho do referido ano. Do seu assento de batismo consta que era filho de António José de Sousa e de Dona Maria José de Sousa, naturais da cidade de Lisboa, neto pela parte paterna de Feliciano José de Sousa e de Alexandrina Francisca e materna de António Joaquim Guimarães e de Dona Rita dos Anjos. Teve como padrinhos o Reverendo padre Tomaz de Mira Branco e Dona Isabel de Mira Branco. O seu pai era médico e o seu irmão, António Isidoro de Sousa foi uma importante personalidade da vila de Viana do Alentejo. Estudou no Liceu de Évora e entrou na antiga escola politécnica no ano de 1869,
Casou com idade de 24 anos na igreja paroquial de Nossa Senhora da Anunciação, em Viana do Alentejo no dia oito de dezembro de 1879, com Berta Isilda Guerreiro de 22 anos de idade, filha de António de Brito Guerreiro e de Dona Maria Salomé da Cunha Nogueira de Campos da cidade de Lisboa. No seu assento de casamento já consta que à data detinha o cargo de tenente de engenharia, pelo que havia apresentado a competente licença para contrair matrimónio ao Ministério da Guerra. Ficou viúvo após a morte de sua esposa no dia 17 de dezembro de 1942. Faleceu na freguesia de Santa Isabel em Lisboa no dia 12 de março de 1942.
José Fernando de Sousa destacou-se na sua época, pela sua vincada personalidade e ideias extremadas, aliadas a uma vasta cultura humanitária, à vocação literária e ao seu espírito combativo, lutando dignamente por tudo o que considerava de interesse nacional. Foi engenheiro, jornalista, escritor, político e militar, católico convicto e um grande defensor da causa monárquica e um forte adversário da Primeira República.
Foi notável a sua ação como Engenheiro Civil de Obras Públicas, distinguindo-se pelos diversos estudos publicados no setor dos Caminhos de Ferro Portugueses.
O seu percurso militar começou após terminar o curso de engenharia civil na escola do exército, com a idade de 45 anos e no ano de 1997 obteve a patente de Tenente-coronel de engenharia. A sua carreia militar terminou em 1900 quando de demitiu alegando o catolicismo. Ingressou então no Ministério das Obras Públicas como engenheiro Civil, dando início ao seu percurso profissional. Fez parte do Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro do Estado, do qual também se demitiu no ano de 1911.
Trabalhou para companhias de construção e exploração, fez parte do Conselho Superior dos Caminhos de Ferro, foi consultor de várias empresas em França e em Espanha no setor Ferroviário, foi Conselheiro do Ministro das Obras Públicas Comércio e Indústrias, Conselheiro do Estado em 1904, deputado em 1906 e Senador em 1926.
A sua atividade mais preponderante foi o jornalismo no seio da qual se salientaram as suas faculdades de crítico e comendador e onde adotou o pseudónimo de «Nemo».
Esta fase importante da sua vida teve início em 16 de janeiro de 1892, dia em que escreveu o seu primeiro artigo na Gazeta dos Caminhos de Ferro, onde foi redator permanente, função que manteve até aos finais do ano de 1941. Colaborou no Correio Nacional de que foi diretor, dirigiu A Palavra, do Porto, assim como no Portugal e na Ordem. No ano de 1919 fundou A Época onde a sua ação combativa mais se manifestou, dando origem à sua prisão no ano de 1920 por um artigo publicado nesse periódico e do qual foi suspenso em 1927, após a igreja católica lhe ter retirado o papel de orientador de Acão Social e Política dos Católicos
Fundou um novo diário designado de A Voz, de cariz católico e monárquico que dirigiu atá à sua morte e também escreveu em jornais e revistas. Dirigiu a Gazeta dos Caminhos de Ferro.
Foi notável da sua ação como engenheiro de obras públicas e distinguiu-se também pelos diversos estudos publicados no setor dos caminhos de ferro de ordem técnica e de outras obras publicadas de cariz religioso e político. Esteve sempre como engenheiro e jornalista ao serviço dos Caminhos de Ferro Portugueses.
Obteve o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo em janeiro de 1942 e no ano de 1967 em sua homenagem a Câmara Municipal de Lisboa colocou o seu nome numa avenida na freguesia de Campolide.
Fontes consultadas:
Assento de batismo de José Fernando de Sousa – cota do documento: PT-ADEVR-PRQ-VNT02-001-LIV.0013, F.44V (1851-1859);
Dispensa matrimonial de José Fernando de sousa com Berta Isilda Guerreiro – Cota do documento: PT-ADEVR-FE-DIO-CEEVR-B-001-26025;
Assento de casamento de José Fernando de sousa com Berta Isilda Guerreiro – Cota do documento: PT-ADEVR-PRQ-VNT02-002-LIV.0028 (assento 14 de1879);
Revista Gazeta dos Caminhos de Ferro. 73 (1751): 337, 338. 1 de dezembro de 1960. Consultado em 2026-02-10,
Gazeta dos Caminhos de Ferro. 68 (1620): 189, 191. 16 de junho de 1955. Consultado em 2026-02-10


