17 de Abril de 2026
Dia Internacional dos Monumentos e Sítios
No contexto da celebração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, celebrado a 18 de abril sob a temática “Alerta sobre preparação para catástrofes e conflitos”, destacamos dois documentos que, embora não abordem diretamente catástrofes, conflitos, planos ou protocolos segurança dos mesmos, são interessantes do ponto de vista da preservação da memória. Estes documentos mencionam eventos passados que alteraram o espaço urbanístico da cidade de Évora no séc. XVI, arquivando memórias que despertam o interesse sobre a estrutura da tão conhecida Praça do Giraldo, denominada durante séculos como Praça Grande, sita no coração do centro histórico eborense, bem como da fonte henriquina nela existente.
No séc. XVI, a renovação do espaço urbano do centro da cidade de Évora levou à extinção de muitos vestígios da arquitetura romana existente na mesma. Foi o caso da demolição do arco que atravessava a Rua Ancha (atual Rua João de Deus), do chafariz e pórtico onde corria a Água da Prata. A demolição dessa estrutura foi mandada executar à Câmara de Évora por ordem do Cardeal Infante D. Henrique, datada de 21 de agosto de 1570, com o objetivo de criar um terreiro diante da Igreja de Santo Antão (igreja por ele edificada), garantindo maior acesso e visibilidade dos fiéis à mesma, e para que na praça fosse colocada uma fonte que mandara fazer. Fonte que, até aos nossos dias, se encontra na Praça do Giraldo.
Mandou que as colunas grandes e outras pertencentes ao pórtico fossem levadas para o então Colégio da Companhia de Jesus de Évora de que também fora fundador.
Um dos documentos em destaque é a ordem do Cardeal D. Henrique para se proceder à demolição do arco e à colocação da fonte na praça, e outro um desenho da referida fonte, de quem não sabemos qual o autor. O desenho da fonte encontra-se anexo à transcrição da ordem do Cardeal D. Henrique efetuada no séc. XIX por Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara.
Fontes: ADE, Arquivo Histórico Municipal de Évora, liv. 76 (6º dos originais), f. 258; ADE, Arquivo Histórico Municipal de Évora, Liv. 158, f. 81 e f. 82

