1 de Setembro de 2026
Documento do mês de setembro 2026
Casa das Convertidas
No século XVI foi criada, por iniciativa de Luís de Melo, mestre escola, e de Gomes Pires, cónego da Sé da cidade de Évora, uma Casa para Convertidas.
O intuito da mesma era acolher e recolher mulheres “pecadoras” ou prostitutas, e dar-lhes uma oportunidade para mudarem de vida, se assim o entendessem, através do recolhimento, do trabalho e instruindo-as na fé cristã para que pudessem ter uma vida digna e honesta.
Segundo o testamento de Gomes Pires, o recolhimento que abrigava mulheres “desamparadas” possuía uma Igreja com devoção a Santa Marta, que o mesmo comprara às religiosas do Convento de Santa Catarina de Sena, a 6 de fevereiro de 1562, refere que mandara colocar um retábulo e muitos ornamentos para se efetuarem os serviços religiosos.
O documento selecionado para o mês de setembro contém o testemunho histórico da fundação e o propósito da criação do recolhimento, mas também diretrizes régias condenatórias sobre as mulheres que se encontravam recolhidas e que saiam do recolhimento para voltar à sua vida anterior e que desencaminhavam outras.
Estamos a falar da cópia da carta de D. Sebastião, de 2 de setembro de 1568, dirigida ao Corregedor da Comarca de Évora, em que refere os fundadores da Casa das Convertidas e a preocupação dos mesmos quanto à saída de algumas recolhidas da instituição. Para precaver o escândalo público o Rei ordena que as mulheres recolhidas e que saíssem da instituição para voltar “a seu mau viver na mesma cidade onde pervertem outras que se poderiam converter a nosso senhor” fossem degredadas para fora da cidade e do seu termo, não podendo voltar a entrar sem expressa autorização régia. O Rei ordena também que as mulheres expulsas que se achassem na cidade, ou no seu termo, fossem presas e só seriam soltas com provisão régia.
Cotas: F: Santa Casa da Misericórdia de Évora, Liv. 47, f. 151 e f. 151vº;
F: Cartório Notarial de Évora, SR: 001 – Livros de Notas, liv. 1087, f. 118vº


